sexta-feira, 20 de abril de 2012

Histórias da bola


Seleção de 1988 foi medalha de prata e teve Taffarel e Romário como os principais jogadores
Nota do editor: Nesta semana em Histórias da bola vamos recordar um grande jogo, que marcou muito, principalmente para os amantes do futebol. Foi em 27 de setembro de 1988, era semifinal de Olimpíada, em Seul. Estamos em um ano Olímpico e isso poderá nos trazer bons fluidos...

UM HERÓI NOS PÊNALTIS
                                                                                             
Na decisão por pênaltis, novamente Taffarel pula no canto certo e pega o chute do alemão Jansen. Esta frase iria se repetir pelos menos umas dez vezes nos anos  seguintes. Claro que tirando o nome do alemão. Foi assim, com esta virtude de pegador de pênaltis que o gaúcho Cláudio André Taffarel se notabilizou no futebol brasileiro e mundial. Para mim, o ex-goleiro do Internacional foi o melhor da posição que vi atuar no Brasil. Taffarel, é verdade nunca foi um grande goleiro nos clubes por qual passou.

Pelo Inter, Taffarel jamais conquistou um título, pelo contrário, sempre foi alvo de críticas, principalmente em clássicos Gre-Nais quando travou um grande duelo com Jorge Veras. O gremista sempre levava vantagem. Mas na seleção brasileira, o goleiro ganhou muitos títulos. Já nas categorias de base, foi campeão mundial de juniores. E no time principal conquistou o tetra nos Estados Unidos. Além de uma Copa América. Ele foi um vencedor, e isso é inegável. Durante a Olimpíada de Seul, Taffarel foi um herói.

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 No jogo contra a Alemanha, defendeu duas penalidades. O primeiro quando a partida estava empatada em 1 a 1. O grandalhão Hoessler cobrou no canto esquerdo e o gaúcho defendeu, fazendo crescer a esperança do ouro nesta competição. Os jogos Olímpicos de Seul aconteceram no Brasil na parte da manhã, logo nas primeiras horas. Um horário difícil para acompanhar. Mas, quando o Brasil estava em campo, eu acordava cedinho.

Depois da perda da medalha de ouro em Los Angeles, eu tinha esperança de que em Seul, nós iríamos trazer o ouro para o nosso país. Até porque é o que falta ainda para o nosso futebol, o ouro em uma Olimpíada. Quatro anos se passaram, e o nosso time estava melhor. Tinha Romário em grande fase no início da sua carreira. Tinha Bebeto, também em grande fase. Tinha Neto. Tinha Luiz Carlos Winck. E tinha Geovani, considerado na época como o futuro grande craque do futebol brasileiro. Mais tarde nada disso se confirmou, o grande jogador acabou sendo Romário.

Nosso time era uma verdadeira seleção. Contava com grandes jogadores, com certeza. Mas não havia aquela magia em torno desta equipe. Sei lá, ninguém acreditava neles. Nem eu acreditava. Já não sofria como antes. Como em derrotas anteriores, por isso estava tranqüilo quanto a uma possível desclassificação no torneio. Neste jogo contra os alemães eu não estava em casa, pois havia saído para fazer um teste em uma empresa de Porto Alegre. A minha mãe estava comigo, e mesmo assim eu pude acompanhar a decisão nos pênaltis. Paramos em frente a uma loja de aparelhos eletrônicos, e ali assisti o Taffarel fazer milagres.

Era a semifinal do torneio Olímpico, o adversário a velha Alemanha, sempre temível. Naquele momento que os jogadores brasileiros corriam para bater na bola, o meu pensamento viajava de volta há dois atrás quando fomos eliminados pela França no Mundial do México. Me deu uma terrível dor de barriga, quase enlouqueci. Com as mãos no rosto, parado em frente a loja, me abrigando da chuva, ao lado da minha mãe, com emprego novo, com outros vários torcedores na Alberto Bins, fiquei paralisado com o que vi. O grande Taffarel defendendo três pênaltis e levando o Brasil à final dos Jogos Olímpicos. Depois do jogo, estava cansado, mas o fantasma dos pênaltis havia, por enquanto, acabado, graças a Taffarel. 
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