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| Seleção de 1988 foi medalha de prata e teve Taffarel e Romário como os principais jogadores |
UM HERÓI NOS PÊNALTIS
Na decisão por pênaltis, novamente Taffarel pula no canto
certo e pega o chute do alemão Jansen. Esta frase iria se repetir pelos menos
umas dez vezes nos anos seguintes. Claro
que tirando o nome do alemão. Foi assim, com esta virtude de pegador de
pênaltis que o gaúcho Cláudio André Taffarel se notabilizou no futebol
brasileiro e mundial. Para mim, o ex-goleiro do Internacional foi o melhor da
posição que vi atuar no Brasil. Taffarel, é verdade nunca foi um grande goleiro
nos clubes por qual passou.
Pelo Inter, Taffarel jamais conquistou um título, pelo
contrário, sempre foi alvo de críticas, principalmente em clássicos Gre-Nais
quando travou um grande duelo com Jorge Veras. O gremista sempre levava
vantagem. Mas na seleção brasileira, o goleiro ganhou muitos títulos. Já nas
categorias de base, foi campeão mundial de juniores. E no time principal
conquistou o tetra nos Estados Unidos. Além de uma Copa América. Ele foi um
vencedor, e isso é inegável. Durante a Olimpíada de Seul, Taffarel foi um
herói.
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Depois da perda da medalha de ouro em Los Angeles , eu tinha
esperança de que em Seul, nós iríamos trazer o ouro para o nosso país. Até
porque é o que falta ainda para o nosso futebol, o ouro em uma Olimpíada. Quatro
anos se passaram, e o nosso time estava melhor. Tinha Romário em grande fase no
início da sua carreira. Tinha Bebeto, também em grande fase. Tinha Neto. Tinha
Luiz Carlos Winck. E tinha Geovani, considerado na época como o futuro grande
craque do futebol brasileiro. Mais tarde nada disso se confirmou, o grande
jogador acabou sendo Romário.
Nosso time era uma verdadeira seleção. Contava com grandes
jogadores, com certeza. Mas não havia aquela magia em torno desta equipe. Sei
lá, ninguém acreditava neles. Nem eu acreditava. Já não sofria como antes. Como
em derrotas anteriores, por isso estava tranqüilo quanto a uma possível
desclassificação no torneio. Neste jogo contra os alemães eu não estava em
casa, pois havia saído para fazer um teste em uma empresa de Porto Alegre. A
minha mãe estava comigo, e mesmo assim eu pude acompanhar a decisão nos
pênaltis. Paramos em frente a uma loja de aparelhos eletrônicos, e ali assisti
o Taffarel fazer milagres.
Era a semifinal do torneio Olímpico, o adversário a velha
Alemanha, sempre temível. Naquele momento que os jogadores brasileiros corriam
para bater na bola, o meu pensamento viajava de volta há dois atrás quando
fomos eliminados pela França no Mundial do México. Me deu uma terrível dor de
barriga, quase enlouqueci. Com as mãos no rosto, parado em frente a loja, me abrigando
da chuva, ao lado da minha mãe, com emprego novo, com outros vários torcedores
na Alberto Bins, fiquei paralisado com o que vi. O grande Taffarel defendendo
três pênaltis e levando o Brasil à final dos Jogos Olímpicos. Depois do jogo,
estava cansado, mas o fantasma dos pênaltis havia, por enquanto, acabado,
graças a Taffarel.
