sexta-feira, 4 de maio de 2012

Histórias da bola: Caxias campeão!

Galera do Caxias comemora o título de 2000
Nota do editor: Na coluna desta sexta-feira (4) vamos contar a história do título de campeão gaúcho do Caxias em 2000. Naquela época, eu trabalhava no jornalismo esportivo da saudosa Rádio Progresso 900 AM (hoje Rádio ABC).

CAXIAS X GRÊMIO
14/06/2000

SURGE UM NOVO TÉCNICO: TITE
                                                                                                            
Primeiro foi o Juventude em 1998. Agora era a vez do Caxias, grande rival do Ju na Serra gaúcha. Se bem que o Grêmio fez de tudo para evitar que mais um clube do interior do Rio Grande do Sul conquistasse o Gauchão. Mas não conseguiu. Até por que, o Caxias estava disposto a repetir o feito do seu rival. Era frio nesse mês de junho, muito frio. Eu estava ansioso para narrar este confronto. Afinal de contas seria a minha primeira decisão. E narraria o jogo em Caxias do Sul.

Estava ansioso também porque quatro dias depois eu estaria viajando para São Paulo, mas precisamente em Ribeirão Preto, onde seria disputado a Copa do Mundo de futebol dos Trabalhadores. Era também a minha primeira viagem de avião, por isso, também a ansiedade. Para transmitir a decisão no Estádio Centenário pela Rádio Progresso, lá estavam além de mim, o comentarista Antônio Mendes e o repórter Leandro Staudt (atualmente na Rádio Gaúcha). O frio congelava as pernas e endurecia a língua. Eu confesso que estava nervoso.
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Chegamos por volta das cinco da tarde, para instalar os equipamentos de transmissão da rádio. Eu sabia que não seria fácil. O jogo estava marcado para começar às 21h40. E a transmissão começaria às 20h, depois da Voz do Brasil. Faltando dez minutos para às oito horas da noite o cabo do repórter na pista atlética do estádio ainda não estava pronto. Depois de percorrer quase cem metros de cabo, eu descobri que o problema era de conexão e por isso não transmitia para a central. Desesperado, cortei o cabo com uma faca e conectei os fios novamente. Eu estava apavorado, afinal de contas, faltam cinco minutos para iniciar a transmissão. E eu ainda tinha que subir muitos degraus para chegar até as cadeiras do Centenário onde estava a nossa cabine.

Finalmente estava tudo ok e nós estávamos pronto para entrar no ar. Foi um jogo trepidante. De muita velocidade. O Caxias deu um banho de bola no Grêmio que era treinado pelo Antônio Lopes. Um dos maiores técnico do Brasil estava surgindo neste campeonato: Adenor Bacchi, o Tite. O treinador do Caxias encaixotou o time gremista durante a partida. Enfiou 3 a 0 ao natural. O primeiro gol deste jogo foi uma beleza. Pela lado direito de ataque, Jajá driblou o adversário e cruzou para a entrada da pequena área. O meia Gil Baiano subiu mais que a defesa do Grêmio e conclui de cabeça para as redes do goleiro Silvio (Danrlei foi reserva nas finais). Eu narrei o lance com precisão e soltei o grito de gol. Era o primeiro gol da decisão.

No segundo tempo numa cobrança de falta, o volante Ivair fez o segundo. Caxias na frente: 2 a 0. O Grêmio era um time sem alma em campo. Bem diferente daquele que o seu torcedor estava acostumado a ver. O gol que definiu o placar foi depois dos quarenta minutos, quando o jovem Márcio entrou para dar mais força na marcação, escapou pelo lado esquerdo e fuzilou o gol de Silvio. Final de jogo: 3 a 0 para o Caxias. Para mim foi uma grande emoção. Naquela madrugada quando cheguei em casa quase não consegui dormir, só pensava no jogo e se eu narrei bem. Apenas no outro dia escutaria a fita gravada pela minha irmã. No jogo da volta em Porto Alegre, não passou de um 0 a 0, e com isso o Caxias conquistou o título gaúcho da temporada. Eu não estive presente nessa partida, pois já estava em Ribeirão Preto para transmitir os jogos do Mundial dos Trabalhadores.
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