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| Galera do Caxias comemora o título de 2000 |
CAXIAS X GRÊMIO
14/06/2000
SURGE UM NOVO TÉCNICO: TITE
Primeiro foi o Juventude em 1998. Agora era a vez do Caxias,
grande rival do Ju na Serra gaúcha. Se bem que o Grêmio fez de tudo para evitar
que mais um clube do interior do Rio Grande do Sul conquistasse o Gauchão. Mas
não conseguiu. Até por que, o Caxias estava disposto a repetir o feito do seu
rival. Era frio nesse mês de junho, muito frio. Eu estava ansioso para narrar
este confronto. Afinal de contas seria a minha primeira decisão. E narraria o
jogo em Caxias do Sul.
Estava ansioso também porque quatro dias depois eu estaria
viajando para São Paulo, mas precisamente em Ribeirão Preto ,
onde seria disputado a Copa do Mundo de futebol dos Trabalhadores. Era também a
minha primeira viagem de avião, por isso, também a ansiedade. Para transmitir a
decisão no Estádio Centenário pela Rádio Progresso, lá estavam além de mim, o
comentarista Antônio Mendes e o repórter Leandro Staudt (atualmente na Rádio Gaúcha). O frio congelava as
pernas e endurecia a língua. Eu confesso que estava nervoso.
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Chegamos por volta das cinco da tarde, para instalar os
equipamentos de transmissão da rádio. Eu sabia que não seria fácil. O jogo
estava marcado para começar às 21h40. E a transmissão começaria às 20h, depois
da Voz do Brasil. Faltando dez minutos para às oito horas da noite o cabo do
repórter na pista atlética do estádio ainda não estava pronto. Depois de
percorrer quase cem metros de cabo, eu descobri que o problema era de conexão e
por isso não transmitia para a central. Desesperado, cortei o cabo com uma faca
e conectei os fios novamente. Eu estava apavorado, afinal de contas, faltam
cinco minutos para iniciar a transmissão. E eu ainda tinha que subir muitos
degraus para chegar até as cadeiras do Centenário onde estava a nossa cabine.
Finalmente estava tudo ok e nós estávamos pronto para entrar
no ar. Foi um jogo trepidante. De muita velocidade. O Caxias deu um banho de
bola no Grêmio que era treinado pelo Antônio Lopes. Um dos maiores técnico do
Brasil estava surgindo neste campeonato: Adenor Bacchi, o Tite. O treinador do
Caxias encaixotou o time gremista durante a partida. Enfiou 3 a 0 ao natural. O primeiro
gol deste jogo foi uma beleza. Pela lado direito de ataque, Jajá driblou o
adversário e cruzou para a entrada da pequena área. O meia Gil Baiano subiu
mais que a defesa do Grêmio e conclui de cabeça para as redes do goleiro Silvio
(Danrlei foi reserva nas finais). Eu narrei o lance com precisão e soltei o
grito de gol. Era o primeiro gol da decisão.
No segundo tempo numa cobrança de falta, o volante Ivair fez
o segundo. Caxias na frente: 2 a
0. O Grêmio era um time sem alma em campo. Bem diferente daquele que o seu torcedor
estava acostumado a ver. O gol que definiu o placar foi depois dos quarenta
minutos, quando o jovem Márcio entrou para dar mais força na marcação, escapou
pelo lado esquerdo e fuzilou o gol de Silvio. Final de jogo: 3 a 0 para o Caxias. Para mim
foi uma grande emoção. Naquela madrugada quando cheguei em casa quase não
consegui dormir, só pensava no jogo e se eu narrei bem. Apenas no outro dia
escutaria a fita gravada pela minha irmã. No jogo da volta em Porto Alegre , não passou de um 0 a
0, e com isso o Caxias conquistou o título gaúcho da temporada. Eu não
estive presente nessa partida, pois já estava em Ribeirão Preto para
transmitir os jogos do Mundial dos Trabalhadores.
