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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Entrevistando o então técnico da seleção brasileira, Luis Felipe Scolari em 2001, pela Rede Comunidade da Rádios

PARTE V
(1999-2002)


Alô, amigos!

AVAÍ X INTERNACIONAL- PARTE V (1999-2002) 

JANEIRO DE 2001

Começava a chance da minha vida. Tudo o que projetava quando iniciei a carreira no jornalismo. Estava trabalhando na imprensa de Porto Alegre. Para os profissionais de rádio do interior, chegar à capital é o máximo. E não era diferente comigo. Estava todos os dias no setor, cobrindo Grêmio ou Internacional. Era um projeto novo. A Rede Comunidade de Rádios transmitia para o interior todos os jogos da dupla. Eram dez emissoras espalhadas pelo Rio Grande do Sul. Sem dúvida, um grande projeto. Na equipe esportiva estavam os narradores Mário Lima e José Claucir. Os comentaristas eram Geraldo Haubert, João Nassif e Airton Bernardoni, ex-árbitro de futebol. Os repórteres eram eu e o Jorge Tubino. O plantão era Ítalo Gall. 

"Um bom time, é verdade. Que tinha qualidade. Nessa nova fase, veio a cobertura da pré-temporada do Internacional em Santa Catarina. O time colorado ficaria por dez dias em Santo Amaro da Imperatriz, um lugar sensacional, conhecida pelas suas águas termais. Foram dias quase que intermináveis de cobertura esportiva num lugar longe de tudo e um tanto quanto distante da capital Florianópolis. O Inter ficou num hotel um pouco distante de onde eu estava, juntamente com Sérgio Couto, então repórter da Bandeirantes. Até chegar na concentração do colorado era um parto. Era uma subida e tanto por um vilarejo no meio de um matagal. Mas eu curtia aquele momento como nunca mais teria um outro" 

O time do Internacional, naquela época, tentava se ajeitar na temporada. O técnico era Zé Mário. Aliás, ele era uma pessoa fantástica. Gente fina da melhor qualidade. Um dia antes de terminar a pré-temporada, o Inter jogou um amistoso no Estádio da Ressacada, em Floripa, contra o Avaí. Se eu não me engano, este jogo terminou empatado em 2 a 2. No Inter era a estreia de vários jogadores, entre eles, o meia Lê e o centroavante Luis Cláudio. Durante os treinos em Santo Amaro, os dois acabaram sendo destaques. Depois do jogo, fomos para uma pizzaria na Avenida Beira-Mar, no centro de Floripa com a sensação de dever cumprido e realizado!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Capa no Jornal NH do dia seguinte após o título
PARTE V
(1999-2002)


Alô, amigos!

TAQUARIENSE X NOVO HAMBURGO - PARTE V (1999-2002) 

OUTUBRO DE 2000

Diferente do que vocês possam estar imaginando com o decorrer da leitura, sou torcedor do Esporte Clube Novo Hamburgo. E, por isso, que eu não poderia deixar de relatar essa conquista, da qual estive presente em quase todos os jogos, sempre transmitindo pela Rádio Progresso 900 AM (hoje ABC). Seja como repórter ou como narrador. Num destes jogos pelo interior do estado, fomos à Vacaria, na Serra, para transmitir o jogo entre o Novo Hamburgo e o Glória. E, seria trágico se não fosse cômico. A minha tensão começou cedo pela manhã. Era domingo, chuvoso e frio do mês de setembro. Eu tratei de colocar gasolina no carro da rádio. Conforme o combinado, o narrador José Claucir estaria na emissora às 8h. Já eram quase nove horas e nada do Claucir aparecer. Fui até o apartamento dele, toquei a campainha e nada. Fiquei preocupado. Esperei até às 9h30 da manhã e ele não apareceu. Resolvi então, sair. Passei na casa do Antônio Mendes que seria o comentarista do jogo. 

"E, quando eu estava em Montenegro, a caminho para Vacaria, tocou o meu celular, era o Claucir. Tive que voltar para pegá-lo. Ele havia tomado umas “pingas” a mais e tinha dormido demais. O dinheiro para viagem era contado. Depois do jogo, que teve a vitória do Noia por 1 a 0, gol marcado por Pachequinho, passamos num posto de gasolina e colocamos o restante da grana que tinha na carteira: apenas sete reais. Eu e os outros dois estávamos apavorados. Pois ninguém mais tinha dinheiro. Com sete “pila” nós teríamos que chegar em Novo Hamburgo. No pedágio, falamos que fomos assaltados e levaram o nosso dinheiro. Passamos sem pagar. Tivemos que parar em Caxias do Sul, no Estádio Alfredo Jaconi, onde jogavam Juventude e Flamengo para pedir dez Reais emprestados para o Marcos Couto. Colocamos esta grana de gasolina e pegamos a estrada. No outro pedágio, de novo na cara dura, nós falamos a verdade. Passamos e chegamos são e salvos em casa. Mas foi um dos momentos mais nervosos que já passei. Era assim a vida de um jornalista no interior, com muitas dificuldades. Mas esse ano valeu a pena, pois o Novo Hamburgo conquistou a Campeonato Gaúcho da Série B. E isso foi com uma rodada de antecedência"

O jogo foi contra o Taquariense no Estádio Marques da Cunha. Era um domingo com muito vento, um pouco nublado e cinzento. Mas o Noia conseguiu superar o time da casa. O atacante Emerson foi o autor do primeiro gol, de falta. A pequena torcida do Novo Hamburgo, cerca de 200, comemoraram como nunca. Depois, de pênalti, cobrado pelo zagueiro Aládio, o anilado marcou o segundo. O terceiro gol foi do centroavante Leco. O volante Joel Marcos lançou o atacante que marcou o gol definitivo, dando o título para o Novo Hamburgo. Depois do apito final do juiz, a torcida invadiu o campo e pôde festejar com os jogadores e eu registrei tudo isso através do microfone da Rádio Progresso. Foi um dos momentos mais alegres da minha vida.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Time do Caxias, campeão gaúcho de 2000 sob o comando do técnico Tite
PARTE V
(1999-2002)

Alô, amigos!

CAXIAS X GRÊMIO - PARTE V (1999-2002) 

JUNHO DE 2000

Primeiro foi o Juventude em 1998. Agora era a vez do Caxias, grande rival do Ju na serra gaúcha. Se bem que o Grêmio fez de tudo para evitar que mais um clube do interior do Rio Grande do Sul conquistasse o Gauchão. Mas não conseguiu. Até por que, o Caxias estava disposto a repetir o feito do seu rival. Estava muito frio. Eu estava ansioso para narrar este confronto. Afinal de contas seria a minha primeira decisão. E narraria o jogo em Caxias do Sul. Estava ansioso também porque quatro dias depois eu estaria viajando para São Paulo, mas precisamente em Ribeirão Preto, onde seria disputada a Copa do Mundo de futebol dos Trabalhadores. Era também a minha primeira viagem de avião, por isso, também a ansiedade. 

"Para transmitir a decisão no Estádio Centenário pela Rádio Progresso 900 AM (hoje ABC), lá estavam além de mim, o comentarista Antônio Mendes e o repórter Leandro Staudt. O frio congelava as pernas e endurecia a língua. Chegamos por volta das cinco da tarde, para instalar os equipamentos de transmissão da rádio. O jogo estava marcado para começar às 21h40. E a transmissão começaria às 20h, depois da Voz do Brasil. Faltando dez minutos para às oito horas da noite o cabo do repórter ainda não estava pronto. Depois de percorrer quase cem metros de cabo, eu descobri que o problema era de conexão e por isso não transmitia para a central. Desesperado, cortamos o cabo com uma faca e conectamos os fios novamente. Finalmente estava tudo ok e nós estávamos prontos para entrar no ar" 

Foi um jogo trepidante. De muita velocidade. O Caxias deu um banho de bola no Grêmio que era treinado pelo Antônio Lopes. Um dos maiores técnico do Brasil estava surgindo neste campeonato: Adenor Bacchi, o Tite. O treinador do Caxias encaixotou o time gremista durante a partida. Enfiou 3 a 0 ao natural. Pelo lado direito de ataque, Jajá driblou o adversário e cruzou para a entrada da pequena área. O meia Gil Baiano subiu mais que a defesa do Grêmio e conclui de cabeça para as redes do goleiro Silvio (Danrlei foi reserva nas finais). Eu narrei o lance com precisão e soltei o grito de gol. No segundo tempo, em uma cobrança de falta, o volante Ivair fez o segundo. O Grêmio era um time sem alma em campo. O gol que definiu o placar foi depois dos quarenta minutos, quando o então jovem Márcio Hahn entrou para da mais força na marcação, escapou pelo lado esquerdo e fuzilou o gol de Silvio. Final de jogo: 3 a 0 para o Caxias. 

Para mim foi uma grande emoção. Naquela madrugada quando cheguei em casa quase não consegui dormir, só pensava no jogo e se eu narrei bem. Apenas no outro dia escutaria a fita gravada pela minha irmã. No jogo da volta em Porto Alegre, o jogo não passou de um 0 a 0, e com isso o Caxias conquistou o título gaúcho desta temporada. Não estive presente nessa partida, pois já estava em Ribeirão Preto, para transmitir os jogos do Mundial dos Trabalhadores.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Time do Juventude, campeão da Copa do Brasil de 1999, entrou para a história do futebol brasileiro

PARTE V
(1999-2002)

Alô, amigos!

BOTAFOGO X JUVENTUDE - PARTE V (1999-2002) 

JUNHO DE 1999

É difícil acreditar que um time do interior do Rio Grande do Sul possa chegar numa competição nacional. Imagina chegar e ser campeão. Eu sempre quis isso para o meu Novo Hamburgo, mas não deu. Quem conseguiu foi o Esporte Clube Juventude. Depois deste título, nunca mais Caxias do Sul seria mais a mesma. O Juventude foi eliminando, eliminando, e decidiu a Copa do Brasil com o Botafogo. O time da Serra Gaúcha tirou o Internacional do torneio quando enfiou quatro em pleno Beira-Rio. 

"Eu torcia como nunca para o Juventude. Até parecia que era papo deste criancinha. E pensar que muitos clubes estavam fora e o Ju estava lá, na Libertadores da América, fazendo inveja para muita gente. Esse dia foi uma verdadeira festa do interior, como diz a música da Gal Costa. Num Maracanã com mais de cem mil pessoas, o Juventude lá do interior do Rio Grande mostrou cara feia, colocou a bombacha, tirou a faca da bota, lascou um pedaço de picanha e fez o Botafogo dançar uma chula na sua própria casa. Este Juventude não é fácil! O volante Flávio ao lado do zagueiros Capone e Índio, e do atacante Maurílio eram os grande destaques daquele time. O falecido técnico Valmir Louruz conseguiu azeitar o time com um grupo reduzido e com nomes desconhecidos. Mas é assim que se faz futebol"

E, depois de vitórias significativas, como sobre o Inter em Porto Alegre, transformou o time de Caxias num grupo totalmente fechado. O time carioca pensou que tranquilamente reverteria a situação. Nem mesmo os gaúchos davam crédito para o Juventude. Uma tarde inesquecível para o futebol do Rio Grande do Sul, que estava desacreditado lá no Maracanã. Aliás, o Mário Filho é nosso salão de festa. Como nós gostamos de vencer no “Maior do Mundo”. Mas foi sem dúvida, um dos melhores anos para o futebol do nosso interior tão pobre de riqueza. É bom destacar que o Juventude estava com a parceria da Parmalat e por isso contava com bons jogadores em seu elenco. Em 1998, o Juventude já tinha quebrado um tabu de um bom tempo. Foi campeão gaúcho. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Ronaldinho atropelou o Dunga neste Gre-Nal de 1999

PARTE V
(1999-2002)

Alô, amigos!

GRÊMIO X INTER - PARTE V (1999-2002) 

JUNHO DE 1999

Estávamos voltando de mais uma jornada esportiva pela Rádio Progresso. O jogo tinha sido no interior do estado, em Bagé. Eu, sinceramente não lembro de quanto o Novo Hamburgo perdeu. No Gol da rádio estavam: eu, o “seu” Ério Müller e o Milton, que conduzia o carro. Neste jogo, fui o narrador. Durante algum tempo eu insisti para narrar os jogos. Como a rádio estava sem narrador, eu me candidatei, e deu aparentemente deu certo. O “seu” Ério foi uma pessoas que mais deu força na época. Ele já dava apoio quando eu era repórter. 

"Na volta de Bagé nos escutávamos o Gre-Nal. Seria o terceiro e decisivo jogo. Ronaldinho Gaúcho estava surgindo para o futebol nesse ano. Desde cedo se anunciava Ronaldo de Assis Moreira como um grande jogador de futebol. Três anos antes, eu estava no Estádio Santa Rosa para transmissão de uma partida. Sentei ao lado do mestre Abílio dos Reis (já falecido), que descobriu tantos talentos, entre eles Falcão, e perguntei-lhe sobre a equipe do Novo Hamburgo: “Seu” Abílio, esse time terá algum jogador para o futuro? – questionei-o, como se estivesse de frente para um bruxo. E ele respondeu categoricamente: - Não, meu filho. – Então resolvi perguntar sobre o time do Grêmio. - E no time do Grêmio “seu” Abílio, teremos algum craque? - E fiquei olhando para onde ele olhava. E ele imediatamente apontou para o lado onde estava Ronaldinho dominando a bola e previu além do futuro, previu o presente. - Este, este daí. Ele já é um gênio. - Disse o mestre, observando e saboreando a jogada dele" 

Estas poucas palavras que eu troquei com o “seu” Abílio me valeram muito. Três anos depois a profecia já estava confirmada. Ronaldinho deu o título gaúcho deste ano para o Grêmio.  No jogo decisivo, que não lembra dos dribles que o craque deu em cima do capitão Dunga. Foi de humilhar. Ronaldinho não teve perdão. Ronaldinho não teve sequer, compaixão. Quase na linha lateral, Ronaldinho deu “chapeuzinho” no capitão. Não teve perdão para o Dunga. Foram duas vitórias consecutivas nas partidas finais, e Ronaldinho ajudou a quebrar um tabu de quase três anos sem vitória do Grêmio sobre o Inter. “Seu” Abílio fez a profecia em 1999 pra mim no velho e saudoso Santa Rosa e deu certo. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Zagueiro Gonçalves não conseguiu parar o grande Juventude do Mabília (à direita). Foto: Ricardo Giusti

PARTE V
(1999-2002)

Alô, amigos!

INTER X JUVENTUDE - PARTE V (1999-2002) 

JUNHO DE 1999

As coisas não poderiam sempre dar errado. Essa viagem aconteceu tudo em um show do Metallica no Hipódromo do Cristal. Eu e o meu amigo Christian estávamos conversando sobre a vida na beira do Guaíba quando surgiu esse papo. Começamos a rir e eu fui para o show. Ele ficou no ônibus. Nós tínhamos feito uma excursão de Novo Hamburgo para Porto Alegre. Sacudi a cabeça feito um maluco. Fiz que tocava guitarra umas quinhentas vezes, assim tipo louco. Foi legal. No outro dia quando fui trabalhar na Rádio Progresso estava todo doído. 

"Algumas semanas depois o Internacional estava jogando contra o Juventude no Estádio Beira-Rio pela Copa do Brasil. No primeiro confronto no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, a partida terminara empata em zero a zero. Portanto, neste jogo em Porto Alegre, ninguém era de ninguém. O Inter era favorito, sem dúvida. E mais: o colorado contava com o tetracampeão e capitão Dunga. Um ano depois da derrocada na França, o Dunga ainda era o mesmo. O Juventude era comandado pelo técnico Walmir Louruz (já falecido), ex-zagueiro do Inter na década de 60. Com mais de quarenta mil pessoas na sua própria casa, o Inter foi impotente diante daquele esquadrão verde, que dentro de campo era comandado pelo volante Flávio Campos" 

O Inter tomou um banho de bola. O Juventude não deu nenhuma chance para os vermelhos, nenhuma. Todos, na saída do Beira-Rio lembravam a triste cena ocorrida contra o Olímpia em 1989, quando o time também foi desclassificado quando era o favorito. Simplesmente, o Juventude meteu 4 a 0 em pleno Beira-Rio. Depois deste jogo, nunca mais a amizade entre Inter e Juventude foi a mesma coisa. No outro dia, o torcedor pensava: mais uma tentativa. E ela novamente foi frustrada. É, sinceramente, a vontade era de esquecer da vida. Mas continuariam tentando, até que tudo desse certo. As coisas não poderiam sempre dar errado. Um dia teria que dar certo. Era mais um ano sem título para os colorados!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Ronaldo não estava bem de saúde na final da Copa de 1998 e mesmo assim Zagalo escalou o jogador

PARTE IV
(1995-1998)

Alô, amigos!

BRASIL X FRANÇA - PARTE IV (1995-1998) 

JULHO DE 1998

A França sempre esteve no nosso caminho. Seja em Copa do Mundo, como no México quando fomos eliminados nos pênaltis. Ou em Olimpíada, como em Los Angeles, quando perdemos a medalha de ouro. Seria agora a nossa vez de ganhar? Não, não era agora que nós venceríamos a França de Napoleão. No dia da decisão aconteceu tudo errado. Quando acordei, a primeira coisa que me venho a cabeça foi o Brasil perdendo para França. Eu estava com um sentimento estranho. Acompanhava atentamente todas as informações através das emissoras de rádio. Eu girava o botão de um lado para outro no dial.

"Este jogo também marcou uma das maiores barrigas da imprensa mundial. Por quê nenhum jornalista sabia o que estava acontecendo com o Fenômeno. Até uma hora antes da decisão, Ronaldo estava escalado. Há duas horas do jogo, na preleção, Zagalo anunciou que o craque não jogaria. Edmundo seria o seu substituto. Mas até aí, ninguém informou. RONALDO-ESTÁ-FORA-DO-JOGO. O meu pessimismo havia tomado corpo. Entretanto, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ordenou o técnico a escalar o Ronaldo. Então, ele foi para o jogo" 

Durante o jogo, a nossa defesa foi um fracasso. Júnior Baiano falhou demais, voltou a ser o velho Júnior Baiano. A jogada do escanteio que gerou o segundo gol de Zidane nasceu de uma atrapalhada do zagueiro. Roberto Carlos também errou. Numa jogada boba no setor de defesa, o lateral brasileiro resolveu tirar uma bola de bicicleta, que acabou se transformando em escanteio. Do escanteio surgiu o primeiro gol da França, com Zidane. Aliás, ele assim como Platini em 1986, foi o grande vilão do Brasil. A França goleou o Brasil na final da Copa por 3 a 0. E como doeu acreditar que nós poderíamos ser penta. Como doeu ouvir aquela canção do Queen, World the Champion. E como doeu ver o capitão francês Deschamps levantar a taça. 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Fabiano foi o grande nome do Inter neste Gre-Nal que ficou para a história

PARTE IV
(1995-1998)

Alô, amigos!

GRÊMIO X INTER - PARTE IV (1995-1998) 

AGOSTO DE 1997

Não tenho dúvida, que depois do Gre-Nal do século, este foi o mais importante na história, principalmente, para torcida colorada, que jamais vai esquecer o dia em que o Inter enfiou uma sonora goleada de 5 a 2, em pleno Estádio Olímpico. O torcedor do Inter, que costumava dizer que o Olímpico era o seu salão de festa em Porto Alegre. Para falar bem a verdade eu não lembro onde estava nesse dia. Acho que até estava em casa assistindo o clássico pela televisão. Foi um ano bastante duro para mim. Pois ainda lutava para me colocar no mercado competitivo que é o jornalismo, principalmente o esportivo.

"Mas, voltamos para o Gre-Nal. Afinal de contas, este jogo marcou a vida e a despedida de muita gente. Por exemplo: Fabiano e Christian foram os destaques nessa partida. Por outro lado, o zagueiro Luciano, do Grêmio, praticamente estava dizendo adeus ao time. Até mesmo o guerreiro Danrlei sentiu uma lesão um tanto quanto estranha e pediu para sair quando o jogo já estava nas mãos do Inter e se encaminhava para uma goleada. Ele saiu antes dos 5 a 2. O jogo era válido pelo Campeonato Brasileiro, o Grêmio com um time diferente em relação primeiro semestre. O Inter estava motivado pela conquista do Gauchão em cima do tricolor. Mas jamais alguém poderia imaginar que em pleno Estádio Olímpico o Inter arrasaria com o rival. No outro dia, pelas ruas, no trabalho, na Redenção, no Marinha ou no Gasômetro, o flauta foi uma só" 

Um dos gols do atacante Fabiano foi de humilhar o adversário. Ele driblou meio time do Grêmio e por pouco não entrou com bola e tudo. “Uuuhh Fabianooo, uuuhh Fabianoooo”, gritava o torcedor colorado espremido no Olímpico. Um jogo como esse realmente vale como a conquista de um campeonato. Depois deste jogo, a velha gangorra voltou ao futebol gaúcho. Quando um está lá em cima, o outro sempre está lá em baixo. É esquisito, nunca os dois estão bem. Depois disso, o Grêmio caiu como uma estrela cadente. Foi mal no Brasileirão e demorou até retomar os sentidos. Já o ano estava ganho para a torcida colorada. Conquistou o Gauchão em cima dos azuis, e venceu de goleada por 5 a 2 no salão de festa dos vermelhos. 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Este time do Grêmio, sob o comando do Evaristo de Macedo, foi campeão da Copa do Brasil no Maracanã

PARTE IV
(1995-1998)

Alô, amigos!

FLAMENGO X GRÊMIO - PARTE IV (1995-1998) 

MAIO DE 1997

Quando a maioria pensava que daquele grupo não se tirava mais nada, eis que surge a frase criada por Lupicínio Rodrigues no hino gremista: o imortal tricolor. Depois da conquista do Campeonato Brasileiro todos imaginavam que o grupo de desmancharia, principalmente, porque saíram alguns jogadores, o técnico Luiz Felipe Scolari e o presidente multicampeão Fábio Koff. Mesmo assim, o time continuou forte em busca dos seus objetivos. Até porque, o novo presidente do Grêmio, Luis Carlos Silveira Martins, o Cacalo, foi ao lado de Koff, um super vice de futebol, e que buscou a maioria dos jogadores que ali estavam e conheciam muito bem o seus comandados. 

"Nesse mesmo ano, o Grêmio disputava competições importantes como a Copa Libertadores da América e a Copa do Brasil. Cacalo estava disposto a voltar a Tóquio e ganhar como presidente o que não conseguira como vice de futebol em 1995. O problema é que de novo o tricolor viu o caminho para Tóquio ficar distante e sem chance de voltar. A alternativa foi então, encurtar o caminho da volta. Para isso, a conquista da Copa do Brasil, o trajeto mais curto para se chegar a Libertadores e também ao Japão, seria fundamental. Para o lugar do Felipão, chegou Evaristo de Macedo, um treinador experiente e vencedor. O grupo de jogadores era mesmo, apesar da saída de Jardel e Arílson. A supremacia gremista sobre os demais grandes clubes do futebol brasileiro era evidente e o ciúme aumentava a cada jogo, a cada campeonato vencido pelo Grêmio. A Copa do Brasil era especialidade do tricolor" 

Foi uma noite inesquecível para os gremistas. Num Maracanã lotado, com cem mil pessoas, o Grêmio empatou com o Flamengo de Romário e Sávio em 2 a 2. Nessa competição, como o gol marcado fora de casa vale o dobro o tricolor levantou mais uma vez a Copa do Brasil. Até os 41 minutos do primeiro tempo, o Flamengo vencia por 2 a 1, com um gol de Romário. Mas numa jogada pelo lado esquerdo, a bola na área e lá estava o prata da casa Carlos Miguel marcou o gol do título. Festa no Maracanã, e os gritos de “Ah, eu sou gaúcho” retumbou em todo o estádio.

sábado, 15 de abril de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Eu (à direita), 1996, atuando como repórter de campo pela Rádio ABC 1470 AM, na época emissora do Grupo Sinos em um jogo de decisão pelo Estadual de Amadores, no Estádio dos Eucaliptos, em Ivoti.
PARTE IV
(1995-1998)

Alô, amigos!

GRÊMIO X PORTUGUESA - PARTE IV (1995-1998) 

DEZEMBRO DE 1996

Foi um ano bastante difícil para mim. Sei lá o que eu estava querendo, exatamente. As minhas companhias não eram agradáveis e sempre perigosas. Aquilo me deixava confuso e quase sempre sem rumo. Eu dormia sem dormir. Eu acordava e estava dormindo. Eu pouco dormia. Eu pouco comia e não curtia a vida. Foram dias difíceis, confesso. As canções da Legião Urbana não saiam da minha cabeça e aquilo estava me detonando. Em maio deste ano sofri uma cirurgia de apêndice. Foi uma operação bastante complicada e por pouco não passei dessa para uma melhor. Confesso que me apavorei. Foram dez dias no hospital que pareceram dez séculos.

"Estava chato ser repórter de jornal pequeno. Decidi pedir demissão. A minha missão, portanto estava apenas começando. Seria um caminho muito difícil. Eu teria que correr contra o tempo, afinal de contas eu não era mais um guri, estava com 24 anos. Voltei à Rádio Progresso 900 AM. Aos finais de semana era repórter nos jogos do Esporte Clube Novo Hamburgo contra os times do interior no Campeonato Gaúcho da Segunda Divisão. Conheci várias cidades do Rio Grande do Sul por conta dos campeonatos em que a Progresso transmitia. E lá ia eu e o Marcos Couto na delegação que levava os jogadores do Novo Hamburgo para mais um jogo em Bagé. Neste mesmo ano, recebi um convite para trabalhar na Rádio ABC 1470, emissora na época, do Grupo Sinos. Aceitei imediatamente o convite para ser repórter free-lance de alguns jogos pelo Campeonato Gaúcho e Estadual de Amadores" 

Este grupo de jogadores do Grêmio ergueu a taça de campeão do Brasil, em 1996
Chega a final do Campeonato Brasileiro e a Rádio ABC estava lá para transmitir. Eu também estava lá. Foi, confesso, uma das maiores alegrias da minha carreira. Eu estava numa decisão de Brasileirão que dava o bicampeonato ao Grêmio. Um Estádio Olímpico com mais de 50 mil pessoas. Foi inevitável a emoção. O Grêmio já não tinha mais Jardel. E não tinha também o meia Arílson. E parecia que todos estavam torcendo contra o Grêmio. Logo no início do jogo o atacante Paulo Nunes marcou para o Grêmio. 

Eram três minutos do primeiro tempo. O Olímpico quase veio abaixo. Demorou bastante, uma eternidade para que os torcedores pudessem soltar o grito de goooool! Era quase final de jogo, quando Carlos Miguel lançou uma bola na entrada da grande área e o centroavante Zé Afonso, todo desengonçado, escorou de cabeça para a chegada do meia Aílton, que entrou no segundo tempo no lugar do guerreiro Dinho. Assim como a bola veio, Aílton pegou de primeira e emendou uma bomba no angulo do goleiro Clemer. Grêmio 2 a 0. Grêmio campeão do Brasil. O Estádio Olímpico estremeceu de alegria. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Grêmio fez uma grande partida diante de um time muito forte, mas acabou perdendo nos pênaltis para o Ajax

PARTE IV
(1995-1998)

Alô, amigos!

GRÊMIO X AJAX - PARTE IV (1995-1998) 

NOVEMBRO DE 1995

Recém havia chegado à redação do antigo Jornal Estância Velha onde estava trabalhando como repórter de geral quando o jogo começou. Para perder o nervosismo, no deslocamento da minha casa até o jornal fui escutando Guns N’Roses. Dentro do ônibus as pessoas até achavam que eu poderia estar maluco, pois cantava em voz alta quase todas as canções do Axl Rose. Quase em Estância Velha o meu toca-fitas rodou Paradise City, e quase fui a loucura, cantava sem parar, quando tive que desembarcar no ponto de ônibus na esquina do jornal.

"Faltavam dez minutos para começar o jogo da vida do Grêmio em Tóquio, contra aquele time espetacular do Ajax da Holanda, que tinha nada mais nada menos do que os maiores jogadores do futebol da Europa na atualidade como os gêmeos Frank e Ronald de Boer, Davids, Litmanen, Kluivert e Overmars. Uma verdadeira seleção. Como na redação do jornal não tinha tevê, acabei levando a minha de cinco polegadas preto e branco. Escrevia de olho da tevê, não sei como consegui redigir algum texto naquele dia. Em 1983, o mesmo Grêmio já tinha sido campeão com a consagração de Renato Portaluppi, mas agora era diferente, o Ajax era muito superior, e eu já entedia um pouco mais sobre o futebol. Com 22 anos, já trabalhava como repórter esportivo em rádio e escrevia no jornal sobre futebol. Entendia alguma coisa sim. Por isso, estava nervoso"

O primeiro tempo se foi como um cometa de tão rápido que passou pelos meus olhos arregalados. No intervalo do jogo tomei quase uma jarra de café preto para ficar cada vez mais ligado. Escrevia as matérias para o jornal do dia, que era vespertino. Aliás, uma das pautas era descrever a festa ou a desgraça dos gremistas. E em caso de desgraça, a comemoração dos colorados na cidade. O Grêmio era bravo, resistia aquele timaço do Ajax. Restaram as cobranças de pênaltis. Dinho e Arce perderam suas cobranças e o Ajax foi o campeão. Foi um dia terrível para mim. E lá estava eu, registrando com uma máquina fotográfica a festa dos colorados. 


sexta-feira, 31 de março de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Capitão América, Adilson, ergue a taça da Libertadores junto com o presidente da época, Fábio Koff. Foto: José Doval
PARTE IV
(1995-1998)

Alô, amigos!

ATLÉTICO NACIONAL X GRÊMIO - PARTE IV (1995-1998) 

AGOSTO DE 1995

Agora era verdade. Desta vez não era sonho não! Não era brincadeira. Tudo que acabava de acontecer, era verdadeiramente verdade. Tudo o que eu assistia era real como um sol que desaparece ao entardecer do dia no Guaíba. Era como se fosse a primeira vez que o Grêmio chegava a este título inédito. Nem parecia que em 1983 o tricolor já havia conquistado a América de Colombo. Exatos doze anos depois o Grêmio levantava a Libertadores da América. E eu já estava com 22 anos, bem diferente daquele guri que em 1983, vibrava com o título. 

"No começo do ano quando estes jogadores que conquistaram a Libertadores foram contratados pela direção sob o comando do presidente Fábio Koff (ele também foi campeão em 83) muitos o criticaram. Mas ele sabia exatamente o que estava fazendo. Quem apostaria nos paraguaios Arce e Rivarola? Quem diria que o zagueiro Adilson poderia dar certo? Quanto a Dinho e Luis Carlos Goiano, que eram dois renegados do São Paulo. E mais: quem eram Paulo Nunes e Jardel? Eles não passavam de reservas em seus clubes, Flamengo e Vasco respectivamente. Às vezes eu até lembrava deste time escutando Going To California , do Led Zeppelin" 

No primeiro confronto com os colombianos do Atlético Nacional de Medelín no estádio Olímpico, o Grêmio venceu pelo placar de 3 a 1 e poderia perder na Colômbia até por um a zero. A minha casa no dia deste jogo em Medelín era uma pilha de nervos. O jogo começa e as unhas dos dedos acabam. Era início de jogo e não é que o time do goleiro espalhafatoso Higuita sai frente no placar com um gol de Aristizábal, que mais tarde jogaria no São Paulo. Mesmo assim, este resultado ainda dava o título ao Grêmio. 

Mas era um placar que deixava a maioria dos gremistas em estado de decomposição. Afinal de contas, mais um gol do Nacional levaria a decisão para os pênaltis. Malditos pênaltis, eu não queria nem imaginar. A pressão era enorme naquela panela. Graças a Deus o primeiro tempo terminou apenas um a zero para eles. O segundo tempo foi um sofrimento só. Eu corria de um lado para o outro. Veio o pênalti para o Grêmio aos 40 minutos. Dinho cobrou e fez. O Grêmio era verdadeiramente o campeão da América, mais uma vez. Era só festejar, agora. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Jardel foi um dos nomes deste confronto com o Palmeiras no Olímpico. Foto: Paulo Franken

PARTE IV
(1995-1998)

Alô, amigos!

GRÊMIO X PALMEIRAS - PARTE IV (1995-1998) 

JULHO DE 1995

Até parece que foi ontem que o Grêmio goleou aquele timaço do Palmeiras no Estádio Olímpico por 5 a 0. Foi uma noite que jamais, nenhum gremista irá esquecer. Afinal de contas, num clássico brasileiro na Libertadores da América, a equipe de Porto Alegre havia massacrado um dos principais times daquela temporada. O Grêmio enfiou cinco gols no time palmeirense, e os paulistas saíram de campo prometendo vingança no jogo de volta no Parque Antártica. O jogo era válido pelas quartas-de-final da Copa Libertadores. 

"Para mim, um dos melhores jogos que assisti em toda a minha vida. De um lado, o Palmeiras, que trazia no seu elenco craques como Rivaldo e Roberto Carlos. Um time que dava inveja a qualquer equipe do planeta. Do outro lado, o Grêmio, com poucos destaques individuais, mas com uma força coletiva impressionante. Além é claro, do técnico Luis Felipe Scolari, um vencedor nato. Infelizmente eu não pude estar no estádio, mas assisti mais uma vez o jogo na casa do meu amigo Otto. Quase não acreditei quando terminou a partida e o resultado tinha sido aquele. Era fantástico! O Grêmio praticamente estava garantindo a sua classificação para a semifinal da Libertadores. Eu já vivia no meio, era repórter esportivo na Rádio Progresso, e em programas de debates tentava colocar a minha opinião. Apesar da pouca experiência, acreditava que o Grêmio seria o campeão"

O jogo foi bastante nervoso, logo aos doze minutos, o meia Rivaldo deu uma entrada criminosa em Rivarola e acabou sendo expulso. Até hoje, os palmeirenses reclamam que o Grêmio foi violento. O clima foi tenso em campo. O clima era tenso fora dele. O clima era tenso na casa do Otto. Nós estávamos com os nervos a flores da pele. A festa foi até a madrugada no Esquina Bar, com muito pastel de carne e cerveja gelada, apesar do frio gaúcho. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Esta foto, ilustra o começo da minha vida profissional no rádio (à direita) em meados dos anos 90
PARTE IV
(1995-1998)

Alô, amigos!

TAQUARIENSE X NOVO HAMBURGO - PARTE IV (1995-1998) 

MAIO DE 1995

O meu curso de jornalismo na universidade estava em pleno andamento, e eu a cada dia que passava ficava apaixonado pela profissão. Ainda mais depois do curso de radiojornalismo esportivo que participei. Tive a oportunidade de fazer, mesmo que tenha sido apenas um tempo, o trabalho de repórter, com depoimento de linha de fundo. Foi um jogo do Campeonato Brasileiro, no Estádio Beira-Rio, entre Inter e Botafogo, em 1994. Havia pedido demissão da loja onde trabalhava. Queria me dedicar ao jornalismo esportivo. Já participava de vez em quando dos programas da Rádio Progresso, com Geraldo Haubert e Marcos Couto. 

"O futebol estava presente em todos os momentos da minha vida, a partir de sempre. Por isso, larguei a empresa de confecção onde trabalhava para ser repórter. O meu primeiro emprego foi na Rádio ABC 1470, em Campo Bom, em fevereiro deste mesmo ano, como produtor e eventualmente repórter. Tive algumas decepções, e acabei sendo demitido após um mês de testes. Foram longos dias de depressão, onde eu ficava trancafiado dentro do meu quarto. Mas a paixão pelo futebol e pelo rádio, é que me fez retornar para o mundo da realidade. O que eu queria na verdade era apenas mostrar o meu trabalho. Fui à luta, e voltei a pedir uma chance na Rádio Progresso (hoje Rádio ABC 900 AM)"

De tanto encher o saco do gerente desta rádio, o Leônidas , e também do narrador Marcos Couto, recebi a oportunidade de estar em uma jornada esportiva. Num domingo, dia das Mães, eu seria o plantão esportivo. Aquele que diz: “Tem gol”. E o narrador: “Gol aonde, Eduardo Pires?” No entanto, a oportunidade bateu na minha porta. É que o repórter, que eu não lembro quem, ficou doente e não poderia estar em Taquari para o transmissão do jogo pela Segunda Divisão do Campeonato Gaúcho, entre Taquariense e Novo Hamburgo. 

– EDUARDO PIRES, TU VAI SER O NOSSO REPÓRTER! - , disse o Marcos Couto. O pavor e ao mesmo tempo a alegria tomou conta de mim. Era a minha grande chance e imediatamente aceitei a proposta.  E lá fui eu. Não lembro do resultado do jogo, mas sei que começamos a transmissão uma hora e meia antes da bola rolar. Eu, finalmente estava no ar, para alegria da minha família. A minha vida a partir deste jogo estava mudando. 

sexta-feira, 10 de março de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Era o Grêmio do Felipão que iniciava uma grande trajetória
Alô, amigos!

GRÊMIO X CEARÁ - PARTE III (1988-1994) 

AGOSTO DE 1994

Depois da conquista do tetra campeonato do mundo, nada mais era importante no futebol, principalmente para mim. Errado. O Grêmio estava na final de uma Copa do Brasil, e isso valia a disputa de mais uma Libertadores da América. Foi um ano bastante emocionante, até porque, além do título do mundial, eu já estava estudando para ser jornalista. Queria exatamente me especializar no jornalismo esportivo. Foi o futebol que me fez escolher o jornalismo como profissão. 

"Foram os 90 minutos de paixão pelo futebol que me fez repórter esportivo. Nesse mesmo ano, tive as minhas primeiras experiências no setor. Na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, participei de um curso de radiojornalismo esportivo. Os professores foram o Nando Gross, hoje diretor da Rádio Guaiba e Flávio Dutra, que foi diretor de esportes da RBS. Com eles, aprendi e muito. Dessa turma de curso, surgiram mais colegas que se tornaram grandes profissionais, como o Cristiano Guerra, que foi colega de Rádio Pampa; Ernani Campelo, o Montanha, que por muitos anos empunhou o microfone da Rádio Guaíba e o Rodrigo Koch, ex-coordenador de esportes da Guaíba" 

O Grêmio estava se tornando especialista na Copa do Brasil. Afinal, em seis edições do evento, faturou duas (1989 e 1994) e chegou duas vezes ao vice-campeonato (1991 e 1993). Mesmo o Brasil sendo tetra campeão do Mundo, a crise financeira tomou conta dos clubes brasileiros. Por isso, o tricolor gaúcho resolveu mesclar a juventude com a experiência. No time gremista, estavam sendo lançados pelo técnico Luiz Felipe Scolari, o goleiro Danrlei, o lateral Roger e os meias Emerson e Carlos Miguel.  

Com quase 50 mil pessoas no estádio, o Grêmio foi arrasador e logo aos 3 minutos de jogo conseguiu o gol, de cabeça do centroavante Nildo. Quase ao final do ano, apareci na Rádio Progresso 900 AM (hoje Rádio ABC) em Novo Hamburgo, e de tanto encher o saco, o então comentarista Geraldo Haubert, deixou eu ler no ar algumas notícias sobre futebol. Ali foi o começo.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Dunga levantou a Copa de 94, calou meio mundo. Comemorei muito esta conquista
Alô, amigos!

BRASIL X ITÁLIA - PARTE III (1988-1994) 

JULHO DE 1994

Estamos frente a frente. Desta vez, vocês não escaparão das nossas garras mortais. Vamos derrotar esta esquadra de qualquer maneira. Não importa como. Se ela atacar por cima, nós colocaremos o Márcio Santos. Se atacar por baixo, temos o capitão Dunga. E se eles por acaso atacar pelos lados, lá estarão Jorginho e Branco. E mais: com certeza nós não vamos ficar o tempo todo se defendendo e tentando acertar o erro de doze anos na Espanha. Vamos atacar, sim senhor, vamos atacar! Romário e Bebeto estarão na linha de frente do combate mais esperado deste século. Agora era a nossa vez de brincar der ser campeão do Mundo.

"Nem o espírito de Paolo Rossi seria capaz de livrar a Itália. Era final de Copa do Mundo. Eu estava grávido de tanta alegria, não conseguia me conter de tanta felicidade. Antes do almoço, passei a manhã estudando para o vestibular que faria no dia seguinte. Confesso que não prestei atenção em nada que eu li. Durante a tarde, fiquei o tempo todo com os ouvidos grudados no rádio. Pela segunda vez Brasil e Itália estariam disputando a final de uma Copa do Mundo. Tinha sido assim 24 anos antes no México, quando nós fomos tri. Mas o que nós queríamos mesmo era vingança de 1982. Era o jogo que estava na cabeça de todos os brasileiros. Aquela tragédia do Sarriá. Mas, o jogo não saiu no 0 a 0, tanto no tempo normal quanto na prorrogação. Fim de jogo. Rezei como nunca"

Os campeões mundiais: Taffarel, Jorginho, Aldair, Mauro Silva, Márcio Santos e Branco;
Mazinho, Romário, Dunga, Bebeto e Zinho. 
Ajoelhado em frente a tevê eu torcia. Baresi bateu o primeiro e perdeu. Márcio Santos bateu o primeiro e perdeu. Depois disso, todos converteram, até a quarta cobrança, quando Taffarel defendeu o chute de Massaro. O capitão Dunga bateu e fez. “Todos no gol junto com Taffarel. Vai bater Baggio, vai correr Baggio. Partiu Baggio, bateuuuu, acabouuuuu, acabouuuu, é tetraaaaa, é tetraaaa”. Era o que gritava, de maneira emocionada o narrador Galvão Bueno. O Brasil, finalmente era campeão do Mundo. E eu finalmente estava realizando o meu sonho. 

Depois de abraçar todo mundo na minha casa e chorar feito uma criança, fui para o centro comemorar. No outro dia fiz o teste vestibular com a cabeça rodando, mas o que importa é que o Brasil era campeão do Mundo. Acabei passando no vestibular para Jornalismo na Universidade do Vale do Rio dos Sinos. A felicidade tomou conta de mim. Prometi nunca mais largar esta paixão pelo futebol. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Branco (6) soltou uma ´patada` e fez o gol da vitória brasileira
Alô, amigos!

BRASIL X HOLANDA - PARTE III (1988-1994) 

JULHO DE 1994

Tive dificuldades em acreditar no que estava acontecendo em Dallas. O Brasil estava jogando bem e dando um baile no antigo carrossel holandês. Eram quartas-de-final, e sem dúvida, esta fase a exemplo da anterior me deixava com uma pulga atrás da orelha. Fiquei preocupado até mesmo quando a seleção vencia o time da Holanda pelo placar de 2 a 0. Aliás, o dois-a-zero é um resultado extremamente traiçoeiro. Quando você pensa que a partida está ganha, o adversário vai lá e empate e é capaz até de vencer o jogo. E eu do alto do meu pessimismo já pensava nisso. Deus me livre! 

"Foi a melhor e mais emocionante partida do Brasil durante este Copa nos Estados Unidos. Antes de começar o jogo, todos lembravam a derrocada brasileira há vinte anos quando nós perdemos para a Holanda na Copa da Alemanha. Era uma lembrança terrível. Para este jogo, Parreira não pôde contar com o lateral Leonardo suspenso e Branco apesar das críticas estava escalado. O gaúcho Branco não estava bem fisicamente e isso era consenso. Overmars era um ponta rápido e isso deixava os torcedores de cabelo em pé. E mesmo sem condições, Branco deu um show. O lateral de Bagé estava em sua terceira Copa do Mundo e muita experiência. Ele anulou o jogador holandês e ainda por cima fez o gol salvador do Brasil quase no final da partida. Este gol calou a boca da imprensa que o criticava"

Mazinho, Bebeto e Romário. Esta comemoração entrou para a história do futebol
O Brasil abriu o placar aos 8 minutos do segundo tempo, em um belo gol de Romário após um desarme do zagueiro Aldair que interrompeu um passe de Rijkaard. A bola foi para o atacante Bebeto que cruzou perfeito para a conclusão do baixinho. O segundo gol do Brasil foi marcado por Bebeto, depois de um lançamento que veio da defesa. Romário estava em impedimento, mas Bebeto não. Ele foi com a bola dominada passando pelos holandeses até a grande área quando driblou o goleiro De Goej e por pouco não entrou com bola e tudo. 

Estava dois-a-zero e a Holanda empatou. Bergkamp descontou aos 19 minutos do segundo tempo, um minutos após o gol do Bebeto. Mesmo após o gol marcado pela Holanda, eu estava tranqüilo. Mas não é que o pavor bateu e a Holanda empatou com Winter aos 31 minutos. Não podia ser, de novo o fantasma da desclassificação estava rondando a minha cabeça. Eis que aparece o gaúcho Branco para salvar. Ele sofreu a falta. Ajeitou a bola e mandou a bomba. Uma bomba santa, que até o Romário deixou ela passar para explodir a rede da Holanda. O Brasil estava na semifinal. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A vida, o futebol e o jornalismo esportivo!

Romário deu passe perfeito para Bebeto fazer o gol da vitória sobre os Estados Unidos em 1994
Alô, amigos!

BRASIL X EUA - PARTE III (1988-1994) 

JULHO DE 1994

Os americanos entraram em campo no dia 4 de julho certos de que poderiam vencer o Brasil, afinal de contas, era o dia da Independência dos Estados Unidos. E um clima de guerra foi armado pela imprensa norte-americana para que o time da casa pudesse acreditar numa vitória. Eram as oitavas-de-final, eu tinha trauma desta fase da Copa do Mundo, pois na Itália fomos eliminados exatamente nesta fase da competição. Neste jogo, um lance que ficou gravado na memória de muita gente e que não dá para esquecer.

O novo capitão do time era o gaúcho Dunga. Logo ele, diziam os críticos. Afinal, justificavam os devoradores de ídolos, ele foi o principal responsável pela derrota do Brasil na Itália. Três dias antes deste jogo, o presidente Itamar Franco lançou o Plano Real para salvar o Brasil de uma profunda crise. E estava todo mundo acreditando em uma nova chance de viver e ver também a Seleção Brasileira campeã do Mundo. 

"Agora, eu sabia de apenas uma coisa: eu queria fazer vestibular e passar para o curso de Jornalismo e sonhava em me tornar um jornalista esportivo. Entrevistar craques, estar entre os boleiros, viajar pelo país e pelo mundo. Este era agora, o meu sonho de verdade. E eu sabia que isso não era tão difícil de realizar. Esta Copa do Mundo me ajudou ainda mais a sonhar com o meu objetivo. A cada jogo e cada vitória do Brasil eu me motivava ainda mais. Por isso, o Brasil tinha que passar pelos Estados Unidos, passar por outros adversários e conquistar a Copa. Era também o meu sonho de infância. Vencer uma copa do Mundo"

Apesar de muito marcado, Romário fez a diferença sobre os EUA do zagueiro Lalas
O gol saiu a 18 minutos do final. Romário avançou a partir do meio-campo com a bola dominada e deu um passe perfeito para Bebeto. O craque brasileiro, mesmo com a marcação de Lalas chutou no canto direito e fez o gol da classificação. Ele saiu correndo em direção ao baixinho e disse: “Romário eu te amo”, foi um momento inesquecível. Dois anos depois, eu transmitia um jogo no Olímpico do Grêmio contra o Vitória, onde Bebeto jogava na época. Entrevistei-o e tive vontade de abraçar o craque e agradecer pelo tetra. 

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