sexta-feira, 27 de abril de 2012

Histórias da bola: Gre-Nal de 1987

China fez uma força imensa para levantar a taça de campeão gaúcho de 1987
GRÊMIO X INTER
19/07/1987

FELIPÃO COMEÇA EM GRANDE ESTILO
O clássico Gre-Nal é tão envolvente que não dá para ficar em cima do muro. Tem gente que consegue, e eu não sei como. Ou finge que é um ‘muraldino’. Eu torço, sempre torci e vou continuar torcendo para apenas uma equipe: Sou Novo Hamburgo, se é isso que você quer saber. É impossível você gostar de futebol, sem torcer para um clube. Quem diz que não torce para nenhum time, é um hipócrita, isso mesmo, um falso. Aquele que diz que não tem time é mentiroso, você pode acreditar nisso. Até mesmo um árbitro de futebol torce ou torceu para alguém. Ah, o Xuxu que me desculpe! Ele é um torcedor símbolo do Internacional e até este momento imaginava que eu fosse colorado, assim como ele. Eu sei que ele ficará decepcionado, mas o que eu posso fazer. Gosto não se discute, não é Xuxu?
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Depois do vexame do Brasil na Argentina, restou a minha esperança de bom futebol na final do Gauchão. O time do Grêmio contava com alguns jogadores remanescentes da Libertadores e do Mundial em 1983, como Mazaropi, Bonamigo, Casemiro e China. O grande Renato já não estava mais. Ele agora, estava fazendo a alegria do torcedor flamenguista. Neste ano, surgia o técnico Luiz Felipe Scolari, com o seu temperamento explosivo, mas muito competente. Era o futebol força, o futebol de resultados e de títulos que chegava ao Rio Grande do Sul, com a camiseta do tricolor. O time colorado não era bobo. E por isso, foi um grande espetáculo no estádio Olímpico. A decisão valia a quebra da hegemonia de campeonatos do Grêmio. Por outro lado, para os gremistas valia o tricampeonato.

Foi um jogo incrível, porque aos 18 minutos do primeiro tempo, o Grêmio já vencia por 3 a 0 e ameaçava uma goleada histórica em cima do maior rival. Embora o Inter contasse com um estrategista no banco, o time estava completamente perdido. Ênio Andrade ficou apenas pensando numa maneira de parar o ataque gremista, o que parecia não estar tão fácil assim. Ainda no primeiro tempo, o lateral-direito Luiz Carlos Winck descontou, em uma cobrança de pênalti. O torcedor gremista já entoava o grito de é campeão, campeão pelas arquibancadas do Olímpico. Eram quase 48 mil pessoas, claro um terço dela era colorada que começa a ir para casa.

Entretanto, o atacante Paulinho (onde anda ele?), marcou mais um para o Inter. O gol, entanto, não adiantou e a taça ficou mesmo com o capitão China. Aliás, pela cara que o China fez quando levantou o troféu, era um peso desgraçado! A decisão marcou também quase o fim da carreira do zagueiro Pinga, um dos melhores surgidos no sul nos últimos tempos. O atacante Fernando entrou para quebrar no meio o zagueiro colorado, que teve rompimento dos ligamentos do joelho.

Depois desta lesão grave, Pinga, que foi apontado pelo técnico italiano Enzo Beazort como o melhor do mundo, nunca mais foi mesmo. Com certeza, se não tivesse acontecido a lesão, ele teria disputado a Copa na Itália. Era o início de uma carreira vitoriosa do Felipão, que culminaria anos mais tarde em um título mundial com seleção brasileira. 
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